RJ – Para ser rebaixada, basta abrir o Carnaval Carioca

Neste século as escolas que abriram o carnaval carioca perderam 3.228 décimos em notas. Desde o ano 2000, em 23 carnavais, 14 escolas de samba se apresentaram como a primeira de domingo, de Viradouro à Renascer de Jacarepaguá, e receberam juntas 905 notas, destas, apenas 7,4% foram notas máximas, ou seja, somente 67 das 905 notas foram 10. Das 67 notas máximas, 40 foram distribuídas apenas nos Quesitos Bateria com 22 e Samba-enredo com 18.

Em 19 dos 23 carnavais deste século, as escolas que abriram os desfiles no domingo ficaram em último lugar, ou seja, em 82,60% dos casos. Só em 4 anos as agremiações que foram as primeiras a se apresentar não ficaram em último lugar, entre elas a melhor classificação é da Mocidade em 2005 com um 9º lugar e Imperatriz em 2022 com a 10º posição, Ilha e Salgueiro amargaram o 11º lugar quando abriram o carnaval em 2010 e 2006 respectivamente.

A São Clemente recebeu as menores notas entre todas as escolas que desfilaram nessa posição, em 2002 no Quesito Evolução ganhou um 7,5 e outro 7,8 para Alegorias e Adereços. Desde 2001, as agremiações que abrem o carnaval já perderam 454 décimos e nunca receberam uma única nota 10 em Alegorias, sendo o Quesito que mais penalizou quem desfila como primeira de domingo. Posição que começa a ser punida logo no início do desfile no Quesito Comissão de Frente. Excluindo o Salgueiro que abriu 2006, nenhuma outra escola de samba conseguiu uma única nota 10, ou seja, Comissão de Frente contabiliza 92 notas baixas nos 23 carnavais do Século XXI.

Coincidência ou não, em 2023 o Império Serrano perdeu 42 décimos em notas de 31 dos 36 julgadores, ficando 10 décimos atrás da Mocidade que cravou em 11º lugar e 21 décimos a menos que a Portela que conseguiu a 10º posição. O Reizinho de Madureira teve as piores notas em três Quesitos: Harmonia, Alegorias e Adereços, além de Mestre-Sala e Porta-Bandeira.

No Quesito Harmonia, o Império com as menores notas do grupo, ficou dois décimos a menos que Unidos da Tijuca e Paraíso do Tuiuti, que somaram 29,6 cada. Em Alegorias e Adereços, ficou três décimos a menos que a Portela, que somou 29,4 pontos.

O 1º Casal Marlon Flores e Danielle Nascimento que tiveram as piores notas do grupo, perdendo 7 décimos ficaram muito distante da Mangueira que foi o segundo pior desempenho do ano com 29,8 pontos. Danielle que é filha de Vilma Nascimento, maior Porta-bandeira da história do carnaval, começou a dançar em 1993, foi campeã com a Portela em 2017 com 4 notas máximas e vice-campeã com Marlon em 2018 onde conquistaram 40 pontos para o Paraíso do Tuiuti, de lá para cá, a dupla gabaritou 12 notas máximas de 17 possíveis.

O Império também ficou em penúltimo lugar no Quesito Fantasias, Comissão de Frente e Evolução e antepenúltimo em Enredo, perdendo 5 décimos ao somar a pontuação de 29,5. Em Comissão de Frente, a Verde e Branda da Serrinha só conseguiu ficar à frente da Mocidade com 29,6 contra 29,4 da escola da Zona Oeste, mantendo a tradição de que além do Salgueiro nenhuma outra escola que abriu o carnaval conquistou uma única nota 10 no quesito. Sem nenhum registro de “buraco” em Evolução, o Império só ultrapassou a Portela, que teve graves problemas de claros na pista que foram inclusive televisionados, com 29,5 contra 29,2 da Azul e Branca, ficando abaixo de todas as demais escolas do Grupo Especial.

Falha na evolução da Portela

Em Fantasias, o Império só ficou à frente da Mocidade por um único décimo com 29,3 contra 29,2 de Padre Miguel, recebendo da jurada Regina Oliva a menor nota do ano e da década, um inacreditável e raro 9,5. Antes disso, só a Renascer de Jacarepaguá havia recebido uma nota 9,4 em Bateria e Harmonia quando abriu o ano de 2012. Regina nunca concedeu nota máxima para o Império Serrano nos 6 carnavais em que a escola desfilou no Grupo Especial (2006, 07, 09, 18, 19 e 2023) e já retirou 19 décimos do trabalho do carnavalesco Alex de Souza em 13 carnavais que ela o avaliou desde 2006.

Apenas 5 das 36 notas foram 10 para o Império Serrano, Samba-enredo com 2 notas máximas e Bateria, com 3 notas 10, de Mestre Vitinho, vencedor do Estandarte de Ouro como Revelação de 2023 e filho do lendário Mestre Faísca. Neste Quesito, o Império Serrano conquistou os 30 pontos, mas outras 10 baterias somaram os mesmos 30 pontos e somente Mestre Casagrande da Unidos da Tijuca e Mestre Ciça da Viradouro perderam 1 décimo neste ano.

Nem no Quesito Samba-enredo o Império Serrano conquistou os 30 pontos, recebendo duas notas 9,9. Mesmo sendo considerado um dos melhores do ano e composto aos 83 anos de idade pelo maior autor de sambas-enredos da história do Brasil, Aluisio Machado, e cantado pelo consagrado Ito Melodia, que tem no currículo 4 Estandartes de Ouro pela União da Ilha como Melhor Intérprete nos anos de 2010, 11, 16 e 17. O Império é a única escola com um samba acróstico, ou seja, as primeiras letras de cada verso formam na vertical o nome completo de Arlindo Cruz, o grande homenageado deste ano.

Considerando todas as notas apontadas em 2023, sem as notas descartadas, os 36 jurados tiraram 68 décimos do Império Serrano neste carnaval. Além deste ano, o Império já abriu o carnaval em 2009, 2018, 2019 e ficou em último em todos. Outras escolas como Porto da Pedra (2000), Tuiuti (2001), São Clemente (2002, 04, 08 e 11), Santa Cruz (2003), Estácio de Sá (2007 e 16), Renascer (2012), Inocentes (2013), Império da Tijuca (2014) e Viradouro (2015), abriram o carnaval e foram rebaixadas. Ou seja, pelo levantamento realizado pelo CN1, com dados oficiais dos Mapas de Notas, fica caracterizado de forma explicita que quem abre o carnaval tem 90% de probabilidade de ser rebaixada para a Série Ouro, apenas por estar desfilando como primeira escola do domingo na Marquês de Sapucaí.

Por Thiago Canepa

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp