RJ – Salgueiro quem leva? Anuncio do samba campeão será amanhã (29/09), após gravação do “Desafio do Samba”

Em busca de seu décimo título no Grupo Especial do Rio de Janeiro, o Acadêmicos do Salgueiro inicia seus trabalhos rumo ao carnaval de 2022. Na próxima quarta-feira (29/09), após a gravação do programa “Desafio do Samba”, a Academia do Samba vai anunciar o samba campeão entre as três obras na final salgueirense. O anuncio será feito após as 18:00hs.

Foto Ewerton Pereira

No próximo carnaval, a escola apresentará o tema “Resistência”, retratando locais do Rio de Janeiro marcados como pontos importantes de resistência cultural preta. O projeto artístico tem a assinatura do carnavalesco Alex de Souza.

SEGUEM OS TRÊS SAMBAS FINALISTAS

Compositores: Xande de Pilares e Parceria 
No morro onde o samba É dialeto toca o banjo Do “Guineto” Chama “Paula” De guerreira No forro onde o negro Dá no couro Quem apita É “Mestre Louro” Professor é “Noel Rosa de Oliveira” Pelas vidas Revendidas no leilão No Valongo sufocado Pela argola da opressão Tantas vozes Na miséria do cortiço Tantos gritos De excluídos e cambaios Nessa Abolição Que é tão fajuta Onde o negro só labuta Ainda é 12 maio
Nasceu liberdade No ventre Matamba Pra alguns entidade Pra nós Orixá A identidade De Keto e Angola É o chão da escola De “Babão” e “Anescar”
Nasceu liberdade No ventre Matamba Pra alguns entidade Pra nós Orixá A mãe tempestade A pedra que rola Que embola e desembola Ao cantar meu “Sabiá”
Ê Camará, ê Camará Eu fui batizado Na roda de capoeira Resistir é meu legado Existir minha bandeira Sigo de punho cerrado Com Xangô Rei da pedreira
Ôô Ôô Mocambo da raça Não teme a mordaça Só treme afoxés Ôô Ôô sentinela Do preceito “Bala” contra O preconceito “Calça Larga” Sobre os pés
Os pés que riscam Esse chão sagrado Mostrando ao mundo O seu gingado Dançando Seus batucajés Onde eu nasci E fui criado Salgueiro Meu torrão amado
Não tem chave Ou cadeado Nem corrente Na senzala Meu Quilombo É encarnado Preta voz Que não se cala Quando eu pego No ganzá “Isabel” vai Pro terreiro Arreda que lá vem Salgueiro
Compositores: Demá Chagas e Parceria
UM DIA MEU IRMÃO DE COR CHOROU POR UMA FALSA LIBERDADE KAO CABECILÊ SOU DE XANGÔ PUNHO ERGUIDO PELA IGUALDADE HOJE CATIVEIRO É FAVELA DE HERDEIROS SENTINELAS DA BALA QUE MARCA, FEITO CHIBATA VERMELHO NA PELE DOS MEUS HERÓIS LUTARAM POR NÓS, CONTRA A MORDAÇA Ê MÃE PRETA , MÃE BAIANA DESCE O MORRO PRA FAZER ESCOLA ME FORMEI NA ACADEMIA BACHAREL EM HARMONIA EIS AQUI O MEU QUILOMBO, HISTÓRIA
Ê GALANGA Ê REI ZUMBI OBÁ PRETA AQUI VIROU RAINHA XICA SOU A VOZ QUE VEM DO GUETO RESISTÊNCIA NO TAMBOR PILÃO DE PRETO VELHO EU SOU
NO RIO BATUQUEIRO MACUMBA O ANO INTEIRO NÃO NEGO MEU VALOR, AXÉ GINGADO DE MALANDRO KIZOMBA E CAPOEIRA CAXAMBU E JONGO, FÉ NA REZADEIRA TEMPERO DE IAIÁ, NÃO TENHO MAIS SINHÔ E NUNCA MAIS SINHÁ SAMBO PRA RESISTIR SEMBA MEUS ANCESTRAIS SAMBA PELOS CARNAVAIS TORRÃO AMADO O LUGAR ONDE NASCI O POVO ME CHAMA ASSIM
SALGUEIRO, SALGUEIRO O AMOR QUE BATE NO PEITO DA GENTE SABIÁ ME ENSINOU SER DIFERENTE Ô Ô Ô Ô Ô Ô Ô…
Compositores: Sereno Fundo de Quintal e Parceria
NA PELE A COR DA NOITE A ESPERANÇA NO BRILHO DO OLHAR MEU POVO FOI CASTIGADO NO AÇOITE AINDA HOJE SINTO A LÁGRIMA ROLAR MAS VOU SONHAR, LUTAR POR IGUALDADE ACREDITAR QUE O SOL DE UM NOVO DIA VAI RAIAR ESTOU VIVENDO DESSE JEITO SUFOCADO PELO RACISMO, PELA DISCRIMINAÇÃO “VIDAS NEGRAS IMPORTAM” CHEGA DESSA FALSA ABOLIÇÃO
FAZ DE NOVO TAMBOR, MINHA ALMA CANTAR A BAIANA GIRAR, PRA ME ABENÇOAR CADA QUILOMBO, MEU LEGADO, MEU TERREIRO PEQUENA ÁFRICA NO RIO DE JANEIRO
CELEBRAR A VIDA… ALIMENTAR O CORPO SEMEAR A PAZ A ARTE NEGRA É RAIZ PLANTADA NESSE CHÃO SABEDORIA DOS ANCESTRAIS SAMBA, JONGO, CAXAMBU, CAPOEIRA A NEGRITUDE ESTA EM CADA UM DE NÓS NA INSPIRAÇÃO DO “MESTRE SABIÁ” ECOA A NOSSA VOZ “EU SÓ QUERO É SER FELIZ”, LIVRE DE VERDADE E DAR UM FIM NESSA DESIGUALDADE ENQUANTO A LUA BRILHAR, O VENTO SOPRAR O RIO CORRER PRO MAR E A CHUVA CAIR PUNHO CERRADO SOU RESISTÊNCIA JAMAIS VOU DESISTIR
ÒFI ÀLÁ WE O, ILE LEWA MEU GRIÔT MEU AXÉ …SALGUEIRO ÒFI ÀLÁ WE O, ILE LEWA ÊTA PRETO DE FÉ … SALGUEIRO
ÒFI ÀLÁ WE O , ILE LEWA Incidental da “cantiga de Oxalá” (domínio público) = UM PEDIDO DE PROTEÇÃO. OXALÁ NOS CUBRA E CUBRA NOSSA CASA COM SEU MANTO SAGRADO

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